Há cidades que visitamos. E há cidades que nos visitam. Dublin faz parte da segunda categoria.

Não esperávamos por isso. Tínhamos em mente uma capital irlandesa nevoenta, pubs esfumaçados, verde por todo o lado. Éramos três, dois irmãos e uma irmã, apaixonados por viagens, com a tradição que criámos: todos os anos, uma capital europeia. Não um circuito organizado, não um hotel de cadeia. Um bilhete de avião, um bairro para explorar, e essa cumplicidade entre nós que transforma qualquer cidade numa aventura. E então Dublin abriu-nos a porta, essa velha porta georgiana pintada de vermelho, de azul, de amarelo, e percebemos que estávamos noutra coisa. Algo humano, autêntico, profundamente vivo. Voltámos mudados. Não radicalmente. Apenas um pouco mais completos.
Este blog é a nossa forma de te dizer: vai. E é assim que podes aproveitar ao máximo.
Porque Dublin merece muito mais do que um fim de semana
Dublin é muitas vezes subestimada. Demasiado pequena para rivalizar com Londres, demasiado desconhecida para atrair as multidões de Paris ou Roma. E é exatamente por isso que é preciosa.
Aqui, a escala humana da cidade é uma qualidade. Andamos a pé por todo o lado. Perdemos-nos sem realmente nos perdermos. Cruzamo-nos com pessoas que têm tempo para nos sorrir, para nos indicar um endereço, para nos explicar a história de um edifício como se fosse a coisa mais natural do mundo. Dublin tem esse dom raro de nos fazer sentir esperados, mesmo quando chegamos pela primeira vez.
O que visitar em Dublin? Os nossos imperdíveis
Temple Bar — o bairro que nunca dorme
Temple Bar é o coração pulsante de Dublin. As ruas empedradas, as fachadas coloridas, os letreiros dos pubs que se refletem nos paralelepípedos molhados, e essa música que escapa por todo o lado, violinos, guitarras, vozes. Tudo misturado numa atmosfera que tanto tem de festa como de poesia.
É barulhento, é turístico, é por vezes caótico. E no entanto, não conseguimos deixar de gostar. Porque Temple Bar não é uma encenação, é Dublin a assumir-se plenamente, com toda a sua energia e toda a sua alegria de viver.
Passeia pelas galerias de arte independentes, entra numa loja de discos, pára para ouvir um músico de rua. E quando a noite cai, deixa-te guiar pela música até ao pub que te chama.

Os pubs — uma filosofia de vida
Não se vem a um pub irlandês para beber. Vem-se para viver algo.
O pub em Dublin é o vestíbulo de tudo, os encontros, as histórias, os debates que nunca terminam, os risos que explodem sem aviso. É o lugar onde um estranho se torna amigo em poucos minutos. Onde o tempo desacelera. Onde se pousa o telemóvel sem sequer se dar por isso.
O Mulligan's na Poolbeg Street, fundado em 1782, serve a Guinness mais perfeita da cidade, é uma reputação construída ao longo de séculos, e nós confirmamos. O The Long Hall na South Great George's Street é uma joia vitoriana com as suas madeiras escuras e espelhos dourados, um ambiente que não mudou há 150 anos e que não precisa de mudar.
E depois há a própria Guinness. O primeiro gole num verdadeiro pub de Dublin é um momento à parte. Cremosa, amarga na medida certa, com essa espuma que se mantém até ao fundo do copo. Não é a mesma cerveja de outros lugares. Os irlandeses dir-te-ão, e eles têm razão. Ainda nos lembramos, os três, com os cotovelos apoiados no balcão, sem dizer nada por alguns segundos. Certos momentos não precisam de comentários.
Foi, aliás, daí que nasceu a nossa T-shirt Irish, dessa espuma que se mantém, desse espírito festivo que resiste ao tempo, e dessa forma que os irlandeses têm de celebrar a vida com uma sinceridade desarmante.
Trinity College e o Livro de Kells
No meio do burburinho urbano, o Trinity College é um parêntesis fora do tempo. Fundada em 1592 pela Rainha Isabel I, a universidade é um campus a céu aberto no coração de Dublin, relvados cuidados, fachadas de granito, estudantes a lerem debaixo das árvores como se o mundo exterior não existisse.
Dentro da biblioteca Old Library encontra-se o Livro de Kells, um manuscrito iluminado do século IX, obra de monges celtas, considerado um dos mais belos objetos criados pela mão humana. De pé, diante desta página aberta, a observar esses entrelaçados de ouro e cores com doze séculos, sente-se algo difícil de nomear. Uma ligação com algo maior do que nós. A arte que atravessa o tempo e nos toca onde as palavras não chegam. Estávamos lado a lado, os três, e ninguém falou por um longo momento. É isso, as viagens em família, esses silêncios partilhados que valem todas as conversas.
Reserva a tua entrada online, as filas podem ser longas, e seria uma pena perder isso.
Dublin Castle e o Bairro Georgiano
A história de Dublin está escrita nas suas pedras. O Dublin Castle, construído no século XIII por ordem do Rei João de Inglaterra, foi durante séculos o centro do poder britânico na Irlanda. Hoje, recebe os visitantes nas suas salas de aparato e jardins, um local que carrega o peso dos séculos com uma elegância tranquila.
A dois passos, o bairro georgiano revela outra faceta de Dublin. Essas fileiras de casas do século XVIII com portas pintadas de cores vivas, vermelho cereja, azul noite, verde irlandês, amarelo mostarda, tornaram-se o símbolo da cidade. Cada porta é diferente, cada fachada conta uma história. Tiramos dezenas de fotos. Nunca nos fartamos.

Grafton Street e as compras em Dublin
Grafton Street é a espinha dorsal comercial de Dublin, uma rua pedonal animada, ladeada por lojas, cafés e músicos de rua cujo nível faria corar muitas salas de concerto profissionais.
É aqui que se encontram as marcas internacionais, mas também os designers irlandeses que realmente merecem a visita. O artesanato local, os tweeds e lãs irlandesas, as joias celtas trabalhadas à mão, peças que têm alma e que viajam bem numa mala.
O Powerscourt Townhouse Centre, logo ao lado, é uma antiga mansão do século XVIII convertida num centro comercial charmoso, com lojas independentes, cafés, galerias. Um endereço que nunca desilude.
A cultura celta — a alma invisível de Dublin
Dublin compreende-se melhor quando se dedica tempo a conhecer o que a precede. A cultura celta está em todo o lado, nos entrelaçados gravados nas joias dos mercados, nos sons de uilleann pipes que escapam de um pub, nos nomes das ruas em gaélico, na forma como os irlandeses falam da sua terra com um orgulho suave e profundo.
O Museu Nacional da Irlanda (entrada gratuita) abriga uma coleção de objetos celtas de beleza deslumbrante, a Tara Brooch, o Cálice de Ardagh, torques de ouro com três mil anos. É um mergulho numa civilização que marcou a Europa muito antes de existirem as grandes nações modernas.
E se quiseres ir mais longe, as colinas de Wicklow, a uma hora de Dublin, abrigam locais megalíticos e paisagens que parecem saídas de outro tempo, ou de outra dimensão.
Qual a melhor época para visitar Dublin?
Dublin pode ser visitada durante todo o ano, mas alguns períodos destacam-se.
A primavera (março – maio) é mágica, os parques estão floridos, os dias alongam-se, e o Dia de São Patrício, a 17 de março, transforma a cidade numa festa gigante de uma semana. Se puderes estar lá nesse dia, não percas por nada.
O verão (junho – agosto) oferece os dias mais longos, o sol por vezes só se põe depois das 22h. A cidade é animada, as esplanadas cheias, e os arredores (falésias de Howth, Wicklow) estão no seu melhor.

O outono (setembro – outubro) é a nossa época preferida. Menos turistas, luzes douradas sobre o Liffey, e uma doçura no ar que torna as longas noites no pub ainda mais preciosas.
O inverno (novembro – fevereiro) tem o seu próprio encanto, os mercados de Natal, a atmosfera acolhedora dos pubs, e Dublin que reencontra o seu ritmo de cidade habitada em vez de visitada.
Alguns conselhos práticos antes de partir
Alguns pontos de referência:
- ✈️ Voo de Portugal: cerca de 2h, muitas ligações low-cost
- 🗓️ Duração ideal: 3 a 4 dias
- 💷 Moeda: euro (a Irlanda está na zona euro — sem necessidade de câmbio!)
- 🌡️ Clima: imprevisível. Ter sempre um impermeável, mesmo no verão
- 🛂 Pós-Brexit: Dublin está na Irlanda (UE) — sem complicações para portugueses
- 🍺 Orçamento caneca de Guinness: 6 a 7€ num pub de bairro
- 🏨 Alojamento: prefere os bairros de Portobello ou Rathmines — mais baratos que o centro e muito bem servidos
Dublin espera por ti. Com as suas portas coloridas, os seus pubs acolhedores, os seus séculos de história e essa forma única que tem de te fazer sentir em casa desde a primeira noite. Vai sozinho, em casal, com amigos, ou como nós, entre irmãos, com essa cumplicidade que torna cada capital um pouco mais mágica. Volta com algo que não esperavas.
Se Dublin te inspirou tanto quanto nos inspirou, dá uma vista de olhos à nossa coleção, cada peça HVA CO. tem uma história, e a de Dublin está apenas a começar.
HVA CO. 🍀
Roupas que viajam contigo.